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Simpósio Temático 09
A linguagem que atravessa o Patrimônio Cultural
Coordenadores
Yussef Daibert Salomão de Campos (UFG)
Raquel Alvarenga Sena Venera (Univille)
José Isaias Venera (Univille)
Esse Simpósio Temático convida pesquisadores e pesquisadoras que tem o patrimônio como objeto e que se utilizam de conceitos inseridos no diálogo entre História e Psicanálise, ainda que essa operação não seja consciente. Concordamos com Braga (p.2021, 10) quando afirma que “a noção de inconsciente possibilitou que se percebesse que o processo histórico não é guiado apenas por forças estruturais ou conjunturais explícitas, mas perpassado por subjetividades que escapam à ordem do consciente”, e ainda quando explica que o “corte entre individual e coletivo foi rejeitado por Freud, mas é tomado como um caminho acessível para muitos historiadores que buscam incorporar a psicanálise em suas investigações e aparece na forma da mencionada divisão entre psicanálise clínica e metapsicologia, uma manipulação que pressupõe que a função terapêutica possa se desprender da teoria que a embasa” (p.12-13). Perguntamos: como será que conceitos tão caros à Psicanálise, como memória, esquecimento, trauma, recalque, silenciamento, fetiche, são validados e apropriados, através de recursos linguísticos como a metáfora (e também a metonímia), pela História ou pela historiografia do Patrimônio Cultural?
Esperamos receber trabalhos que somem a um diálogo com essa pergunta. Assim alinhavou De Certeau, em “História e Psicanálise: entre ciência e ficção”, quando nos ensinou que ambas se desenvolvem no “terreno de questões análogas: procurar princípios e critérios em nome dos quais seja possível compreender as diferenças ou garantir continuidades entre a organização do atual e as antigas configurações; conferir o valor explicativo ao passado e/ou tornar o presente capaz de explicar o passado; reconduzir as representações de outrora ou atuais às suas condições de produção; elaborar (de onde? de que modo?) as maneiras de pensar e, portanto, de superar a violência (os conflitos e os acasos da história), incluindo a violência que se articula no próprio pensamento; definir e construir a narrativa que é, nas duas disciplinas, a forma privilegiada conferida ao discurso da elucidação” (2011, p.73).
Acolhemos o pressuposto psicanalítico de que a verdade se mostra na circulação da linguagem, em um “entre” o sabido e ainda a saber, as perguntas que fazemos e as apostas conceituais que trazemos em nossas pesquisas.
Referências
BRAGA, Sabrina Costa. O historiador e o excesso: introdução a História e Psicanálise. In: BRAGA, Sabrina Costa; GONÇALVES, Murilo (Orgs). História e Psicanálise. Porto Alegre, RS: Editora Fi, 2021, pp.9-19.
DE CERTEAU, Michel. História e Psicanálise: entre ciência e ficção. Belo Horizonte: Autêntica, 2011.
FREUD, Sigmund. Obras completas, volume 11: Totem e Tabu, Contribuição à História do Movimento Psicanalítico e Outros Textos (1912-1914) / tradução Paulo César de Souza - São Paulo: Companhia das Letras, 2012.
FREUD, Sigmund. Obras completas, volume 18: O mal-estar na civilização, novas conferências introdutórias à Psicanálise e outros textos (1930-1936). / tradução Paulo César de Souza - São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
FREUD, Sigmund. Obras completas, volume 19: Moisés e o monoteísmo, Compêndio de psicanálise e outros textos (1937-1939) / Sigmund Freud; tradução Paulo César de Souza. — 1a ed. — São Paulo: Companhia das Letras, 2018.
GAY, Peter. Freud para historiadores. Tradução de Osmyr Faria Gabbi Júnior. Rio de Janeiro: Paz & Terra, 1989.