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Simpósio Temático 12

Sistemas Culinários, Territórios e Identidades: Diálogos entre Alimentação e Patrimônio Cultural

Coordenadores
Luis Gustavo Molinari Mundim (IEPHA/MG - PUCMinas)
Raul Amaro de Oliveira Lanari (UFG)

O presente Simpósio Temático propõe um espaço de reflexão interdisciplinar sobre a alimentação entendida como um fato social total e expressão do patrimônio cultural. Partindo da premissa de que a "cozinha" ultrapassa o prato e a receita, este simpósio busca analisar os alimentos como sistemas complexos. Tais sistemas englobam desde a apropriação da natureza, o manejo de sementes, frutos e raízes, os utensílios, até as dinâmicas de sociabilidade, comensalidade, circulação e comercialização.  


Também, interessa pensar como se deram os reconhecimentos de sistemas culinários — como a Dieta Mediterrânica, o Ofício das Baianas de Acarajé e o Modo Artesanal de Fazer Queijo Minas, realizados por instituições como UNESCO, IPHAN, IEPHA e outros órgãos de entes federados O simpósio procura entender a cozinha não apenas como técnica, mas como um "saber-fazer" que condensa identidade e história. 


O simpósio acolherá trabalhos que explorem a relação entre alimentação e território, inspirando-se em inventários culturais regionais que demonstram como o ambiente molda hábitos e saberes tradicionais. Pretende-se discutir a "cozinha" e outras tradições alimentares não como algo estático, mas como um legado vivo, fruto de processos históricos de contato e mediação entre influências indígenas, africanas, europeias e de outras partes do mundo. Interessam, também, análises sobre a circularidade cultural através dos alimentos, com ênfase nos processos de trasladação de gêneros alimentícios de seus contextos originais para outras partes do mundo.   


Serão valorizadas pesquisas que abordem a dimensão política e social da alimentação, compreendendo-a como ferramenta de cidadania cultural, solidariedade e resistência. O objetivo é reunir trabalhos que articulem as dimensões da biodiversidade, do direito ao património e das dinâmicas de consumo e hospitalidade. 


A relevância deste simpósio reside na necessidade de consolidar a alimentação como objeto de estudo científico e histórico rigoroso. Como observamos nos Cadernos do Patrimônio, o reconhecimento dos sistemas culinários como patrimônio exige um olhar que vá além da estética, focando no "modo de fazer" e nas simbologias envolvidas. 


Os objetivos principais do ST são: 
1.    Debater a terminologia: Analisar como os conceitos de "gastronomia", "culinária" e "cozinha" orientam diferentes abordagens teóricas e metodológicas na pesquisa histórica. 
2.    Mapear as Matrizes Culturais: Discutir a herança colonial e as reinvenções contemporâneas das tradições alimentares, focando nas trocas e trânsitos entre mundos (Ibero-América, África e saberes originários). 
3.    Analisar Políticas de Salvaguarda: Avaliar o impacto do registro de sistemas culinários (ex: Milho e Mandioca) na preservação da memória e no desenvolvimento sustentável das comunidades detentoras desses saberes. 
4.    Territorialidade e Ambiente: Investigar como o patrimônio alimentar se relaciona com a paisagem cultural e os recursos naturais, essenciais para a manutenção das tradições. 

Referências


ABDALA, Mônica Chaves. A valorização das tradições alimentares em Minas Gerais: articulações políticas, reconhecimento de patrimônios e desenvolvimento social. Revista Óculo, Belo Horizonte, n. 4, p. 52-59, 2022. 


BITAR, Nina. Patrimônios culinários: categorias nativas e políticas públicas de reconhecimento. Revista Óculo, Belo Horizonte, n. 4, p. 16-23, 2022. 


BRAGA, Isabel Drumond. A patrimonialização da doçaria portuguesa: os produtos de Indicação Geográfica Protegida. Revista Óculo, Belo Horizonte, n. 4, p. 24-35, 2022. 


CAMACHO SEGURA, Juana. La cocina colombiana como patrimonio cultural: dilemas de la patrimonialización. Revista Óculo, Belo Horizonte, n. 4, p. 44-51, 2022. 


CARRASCO HENRÍQUEZ, Noelia. Notas sobre la patrimonialización de las culinarias tradicionales. Revista Óculo, Belo Horizonte, n. 4, p. 36-43, 2022. 


CARSALADE, F. L. Parecer sobre o Registro dos "Sistemas Culinários da Cozinha Mineira - o milho e a mandioca". Belo Horizonte: CONEP/IEPHA-MG, 2023. 


CONTRERAS, J.; GARCIA ANAÍZ, M. Alimentação, sociedade e cultura. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2011. 


DELLA GIUSTINA, A. P. S.; SELAU, M. S. A culinária como patrimônio cultural imaterial. Cadernos do CEOM, Ano 23, n. 31, p. 55-67, 2011. 


IEPHA/MG. Cadernos do Patrimônio: Sistemas Culinários da Cozinha Mineira - o milho e a mandioca. Belo Horizonte: Iepha-MG, 2024. 


IEPHA/MG. Inventário Cultural do Rio São Francisco. Belo Horizonte: Iepha-MG, 2015. 

 

LISBOA, P. Turismo cultural e patrimônio sob a perspectiva da gastronomia: o caso da mandioca. Revista de Turismo Contemporâneo - RTC, v. 3, n. 1, p. 1-15, 2015. 


MUNDIM, L. G. M.; SILVA, D. R. C. R. Brevíssima consideração a respeito da cozinha tradicional mineira e o patrimônio cultural. (Mimeo). 


SANTILLI, J. O reconhecimento de comidas, saberes e práticas alimentares como patrimônio cultural imaterial. DEMETRA, v. 10, n. 3, p. 585-606, 2015. 
 

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