Universidade Federal do Ceará, Fortaleza | 04 a 08 de Outubro de 2021

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Em meio à virada antropológica e cultural, e beneficiada pelo contexto da redemocratização brasileira, a renovação conceitual de patrimônio consolidou, nos anos de 1980, o debate sobre o direito à memória como elemento de cidadania, reconhecido pela Constituição de 1988. O texto constitucional representou ainda um marco importante para compreender o deslocamento da atribuição de valor cultural do Estado para a sociedade, o que incidiu largamente na concepção processual de patrimônio, forjada no campo de disputas, contestações e dissensos.

Na contemporaneidade, a dimensão social inscrita no patrimônio vem ganhando expressão como novo paradigma a pautar a ressemantização do conceito e a reconfiguração do campo. Agenciada pela noção ampliada do termo, a participação de variados atores sociais em processos de patrimonialização − nos quais figuram diferentes atribuições de valores a bens, lugares e práticas culturais − tem se constituído em ações instrumentalizadas por distintas formas de resistência, luta por direitos e afirmação identitária. As reivindicações que envolvem os atos de lembrar e esquecer mobilizam cada vez mais uma “demanda social da história”, protagonizada por atores sociais marginalizados/silenciados/invisibilizados pelos discursos hegemônicos.

Apostar nessa abordagem, para além de qualquer consenso dualista, significa adentrar nos debates sobre mudanças de paradigma conceitual, que apresentam novas exigências às tarefas teóricas e metodológicas do historiador, ao empreender “o passado enquanto um problema a ser resolvido”. Nesta perspectiva se deu a escolha do tema “Patrimônio, Resistência e Direitos” para a terceira edição do Seminário do Grupo de Trabalho “História e Patrimônio Cultural”, da ANPUH: trata-se de um convite a refletir sobre as múltiplas camadas de sentido que o revestem, no debate público dos últimos anos, de modo a reunir, de forma virtual, entre 04 e 08 de outubro de 2021, estudantes, pesquisadores e profissionais de instituições de patrimônio e memória, professores do ensino básico e superior de todo o país.

Por meio de intercâmbio acadêmico, troca de experiências, apresentação e debate das investigações em curso, pretende-se contribuir para a formação de estudantes e jovens pesquisadores, bem como estreitar os laços dos integrantes do GT, consolidar a rede de pesquisadores na área temática e produzir subsídios para a formulação de políticas de patrimônio inclusivas, democráticas, plurais e diversas,  com a produção e divulgação de conhecimento sobre o assunto.