ST 04 - Os trabalhadores e seu patrimônio cultural: “lugares de memória”, identidades e ensino de História      

Prof. Dr. Felipe Augusto dos Santos Ribeiro (UESPI) e Profa. Dra. Juçara da Silva (PUC-Rio)

Este Simpósio Temático tem por objetivo reunir pesquisas que apresentem interseções entre os estudos sobre patrimônio cultural e o mundo do trabalho. Os debates acerca das concepções de patrimônio têm adquirido uma significativa visibilidade nas últimas décadas (e não apenas no meio acadêmico), sendo acompanhandos por processos de patrimonialização e musealização de bens culturais e de espaços valorizados por diversos agentes sociais. Outrora mais restrito à afirmação do Estado Nacional, o conceito de patrimônio hoje vem sendo resignificado e utilizado para reforçar memórias sociais dos "de baixo". Por isso mesmo, ele encontra eco em diversos grupos de trabalhadores (livres ou cativos) e seus descendentes, que buscam o reconhecimento e a reafirmação de "sua história". Nesse contexto, a produção dedicada à história social do trabalho tem bastante a contribuir, pois, além dos consolidados estudos sobre movimento operário (tipicamente urbano), vêm difundindo nas últimas décadas consistentes pesquisas sobre os trabalhadores rurais e também sobre os trabalhadores escravizados, libertos e livres. Dessa forma, pretende-se valorizar pesquisas que discutam a patrimonialização de espaços, saberes e fazeres vinculados ao mundo do trabalho - incluindo aí o lugar do ensino de história e de uma educação para o patrimônio a partir dessas demandas. Serão consideradas propostas que abordem formas de construção e transmissão de identidades sociais vinculadas a fábricas, fazendas, sindicatos, quilombos e outros "lugares de memória" dos trabalhadores. Esta proposta de Simpósio Temático é o resultado de diversos debates surgidos entre historiadores sociais que pesquisam sobre o mundo do trabalho e que têm encontrado frutíferos resultados no processo ensino-aprendizagem de História. A partir da identificação de uma rica produção cultural tangível e intangível, vêm sendo vislumbradas possibilidades de conexões entre uma educação patrimonial – que evidencie e valorize tais resquícios do passado – e o ensino de uma História crítica. Nisto, busca-se superar uma suposta dicotomia entre os saberes e as práticas científicas (desenvolvidos na academia) e a aula de História na escola, por meio da consideração da valorização das experiências socioculturais praticadas no interior de seu próprio grupo de referência.

CRONOGRAMA DE APRESENTAÇÕES DE TRABALHO

  • Dia 05/10 (Terça-feira)

14-18h 

 

Dos Espaços Fabris a Objeto do Patrimônio: Ruína, Memória e Patrimônio Industrial no Extremo Norte do Piauí 

Alexandra Sablina do Nascimento Veras (UFRJ)

 

Uma Revolução Industrial à la brasileira? A Usina Wigg, a memória e o patrimônio industrial 

Luana Carla Marins Campos Akinruli (UFMG)

  • Dia 06/10 (quarta-feira)

14-18h

 

O fazer-se do operário do patrimônio: práticas e lutas nos canteiros da memória

Brenda Coelho Fonseca (UNIRIO)

 

Patrimônio Industrial e paisagens ocultas: o caso do acervo do Arquivo de Memória Operária do Rio de Janeiro (AMORJ)

Luciana Christina Cruz e Souza (UFG)

 

História pública e lugares de memórias dos trabalhadores: uma experiência na sala de aula da educação básica no Colégio Agrícola Dom Agostinho Ikas da UFRPE 

Márcio Romerito da Silva Arcoverde (UFRPE)

  • Dia 07/10 (quinta-feira)

14-18h

Problemáticas Interseccionais nos Museus do Trabalho no Brasil e em Portugal (1989-2021)

Carla Bianca Carneiro Amarante Correia (UFC)

 

As Casas de Tambor de Mina em São Luís do Maranhão: Memória e Resistência

Denise Cerveira Tavares (UPF)

 

Por uma Memória do Poder Judiciário: Estudo de Caso sobre o Centro de Memória e Cultura do TJGO

Laylla Nayanne Dias Lopes (UEG)