ST 17 - Patrimônio Cultural no tempo presente: cartografias e resistências

Profa. Dra. Hilda Jaqueline (UNIPAMPA)  e Profa. Dra. Vera Lúcia Maciel Barroso (CHC / Santa Casa de Porto Alegre)

Nos últimos anos, a cultura entendida como “as práticas de organização simbólica, de produção social de sentido, de relacionamento com o real” (SODRÉ, 2005, p. 12) tem sido pauta da agenda estratégica das nações, reconhecendo a sua importante condição para o desenvolvimento da cidadania cultural (CHAUÌ, 2006, p. 23) e ao mesmo tempo, colocando em cheque os modelos hegemônicos das políticas preservacionistas pregressas, pautadas desde a perspectiva colonial. No Brasil, a emergência deste debate por parte do Estado, teve início através de órgãos e serviços criados, que no tempo presente se expressa pelo IPHAN, no âmbito nacional e nos institutos estaduais e municipais, que deram suporte para o regramento constitucional de 1988, no tocante à cultura. Com a Constituição, a noção de patrimônio cultural sofreu novas configurações ao ser concebido no “plural” e estabelecido sob bases mais democráticas, em especial no Artigo 216, o qual define a responsabilidade do poder público e da comunidade em promover e proteger o patrimônio cultural brasileiro. Inaugurou-se a partir de então, um campo fértil de discussões teóricas, conceituais e metodologias de atuação que se encontram na base das atuais políticas públicas de Estado nessa área. (IPHAN, 2014, p. 7). Tais movimentações mobilizaram campos de saberes e de atuação de diferentes profissionais, dentre eles, os historiadores para os quais o patrimônio e o mundo político que o envolve passaram a fazer parte do “metier” do seu ofício, tornando-se objeto de reflexão e de práticas renovadas neste âmbito, sejam em espaços educativos, instituições e agências de salvaguarda ou ainda junto aos grupos produtores de bens culturais (CHUVA, 2018, p. 09). O profícuo diálogo entre a história e o campo do patrimônio cultural, a partir do olhar da antropologia, produziram rupturas e avanços políticos importantes, hordiernamente ameaçados pelo atual governo e sua política sistemática de desmantelamento do campo da cultura, denunciados por diversos movimentos de resistência, apontando segundo os estudos descoloniais, para a necessidade de uma “antropologia por demanda” (SEGATO, 2018, p. 09), ou seja, um fazer científico e político voltado para um projeto histórico alternativo comprometido com as demandas das memórias resistentes de comunidades, povos e instituições culturais no tempo presente. Diante de tal cenário, a relação entre, “patrimônio e resistências” emerge como objeto de análise relevante para os historiadores, tendo em vista os projetos de controle e apagamento das lutas e das conquistas de direitos. Neste sentido, este simpósio pretende estabelecer um espaço para o aprofundamento do campo de reflexão do papel do Estado e dos vários agentes envolvidos com o tema, buscando reunir e cartografar ações, estudos, experiências e processos de patrimonialização em curso, ligados às resistências memoriais em seu amplo espectro, sejam elas ligadas aos movimentos sociais, políticos e étnicos, bem como de gênero e/ou relacionadas à ativação de espaços e acervos públicos e/ou privados. Trata-se de considerar os novos enfoques e suportes apresentados ao historiador enquanto fontes de pesquisa para a promoção de políticas para o patrimônio.

 

CRONOGRAMA DE APRESENTAÇÕES DE TRABALHO

  • Dia 05/10 (Terça-feira)

14-18h 

Caminhos antigos e o desafio da preservação da Estrada do Commércio no estado do Rio de Janeiro 

Willians Carvalho e Renato Fonseca Arruda
 

Reafirmação do desejo de modernidade em Goiânia: notas sobre o dossiê de tombamento art déco

Sandra Catharinne Pantaleão Resende (PUC Goiás)
 

Patrimônio, memória e as ações artístico-culturais: o caso do Mercado do Porto do Sal em Belém do Pará

Nadime Alvarenga Fróes (UNAMA)

Prática de educação patrimonial com o uso de cartografias subjetivas

Jéssica Aline Tardivo e José Luís Bizelli (Unesp)

  • Dia 06/10 (Quarta-feira)

 

14-18h

 

Memórias e arquivos da saúde pública no Brasil: entre a valorização e o esquecimento do patrimônio documental em tempos de pandemia

Hilário Figueiredo Pereira Filho (PEP/IPHAN)
 

Análise da Metodologia do Inventário Participativo: instrumento de democratização do patrimônio cultural

Arlindo Aparecido de Carvalho (UFOP),
 

O Instituto da Memória do Povo Cearense: Patrimônio cultural e ação coletiva (1988-2015)

Ana Cristina de Sales (UFC)
 

Política do patrimônio cultural da cidade de Goiás: ressignificar, identificar e proteger

Aline Amaral Di Salvo (PROMEP-UEG)

  • Dia 07/10 (Quinta-feira)

14-18h

Disputas políticas sobre lugares de memória da ditadura civil-militar brasileira no tempo presente

Karina Avelar de Almeida (UFJF)

Patrimônio cultural e gênero na cidade: cartografias de resistência na obra da historiadora Sandra J. Pesavento

Hilda Jaqueline de Fraga (UNIPAMPA/RS)
 

Cartografias indivisíveis: patrimonialização do Arquivo da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre 

Véra Lúcia Maciel Barroso (CHC/Porto Alegre)
 

Atomismo identitário como compromisso coletivo: o patrimônio e o difícil equilíbrio narrativo

Luciano Chinda Doarte (UP)